Hospital do Paranoá tem centro cirúrgico interditado devido a falta de médicos

Pacientes em estado grave serão redistribuídos em unidades da rede pública, e Secretaria da Saúde admite que houve falha e não há data estipulada para os atendimentos serem normalizados. Esta é a segunda vez em que o Conselho Regional de Medicina, CRM determina que o Hospital seja interditado em menos de um ano. Devido a falta de médicos anestesiologistas o serviço foi suspenso e atualmente apenas 14 profissionais fazem o trabalho do centro cirúrgico, sendo que a média deveria ser de 28 profissionais. A ortopedia é o pior setor da unidade, e os pacientes da emergência estão aguardando mais de 30 dias para realizarem cirurgias, segundo o levantamento do Sindicato dos Médicos, o SindMédico.

Os pacientes foram transferidos para outras unidades da rede pública pela Secretaria de Saúde e a pasta justificou que: “O problema afeta não só o Hospital do Paranoá, mas toda a rede pública. As tentativas de solucionar a carência têm se frustrado porque as vagas que foram abertas em concursos anteriores, tanto para cargos efetivos quanto para temporários, não foram preenchidas”. Não existe uma data estipulada para o problema ser solucionado e desde setembro de 2016 o Conselho vem monitorando a situação do Hospital.

Dez meses atrás foi solicitado a primeira interdição ética da unidade e a Secretaria de Saúde informou que está sendo organizado um novo concurso que será concluído em 2018. Segundo o SindMédico a ortopedia estava com 32 pacientes aguardando cirurgia de fraturas e procedimentos de emergência.

A Secretaria tentou impedir na interdição do Hospital nas duas últimas semanas, e a pasta teve o argumento junto ao Conselho que mesmo com a falta de profissionais, suspender os serviços seria mais prejudicial a população. A falta de fios cirúrgicos, luvas, antibióticos e exames de raio-X e tomografia também colaboraram na decisão.

Houve um remanejamento dos pacientes após o centro cirúrgico ter sido interditado e os pacientes com casos cirúrgicos na área da ortopedia foram para o Hospital Regional de Planaltina. Os casos de cirurgia geral foram para o Hospital de Sobradinho. Apesar da interdição, o Hospital continuará fazendo o atendimento cirúrgico nos casos de ginecologia e obstetrícia, exceto em casos de cirurgia de alto risco que os pacientes serão transferidos para o Hospital Universitário de Brasília e para a UPA de São Sebastião.