Alemanha como exemplo para reconstruções de museus destruídos pela guerra

O Museu Nacional completou 200 anos em 2018, no entanto foi um incêndio, que destruiu boa parte da sede e uma coleção de mais de 20 milhões de itens, que marcou a história da instituição. O governo brasileiro declarou investir R$ 10 milhões para obras de emergência no prédio, com mais R$ 21,7 milhões disponível, aprovados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, para a restauração do edifício. Entretanto, qual seria a melhor condução para esse processo?

Para isso, pode-se levar como exemplo a experiência europeia no empenho em recuperar entre os destroços, devido aos intensos bombardeios durante a 2ª Guerra Mundial, os museus e prédios históricos.

“Infelizmente por causa da guerra adquirimos conhecimento sobre (como restaurar) prédios culturais destruídos”, diz Hermann Parzinger, presidente da Fundação de Herança Cultural Prussiana, instituição que é responsável pelos museus estatais de Berlim.

“É uma decisão dos brasileiros, mas creio que a comunidade internacional está pronta para ajudar e fornecer conselhos desde que sejamos acionados.”

O Museu Novo (Neues Museum, em alemão) e o Palácio da Cidade (Stadtschloss) são exemplos relevantes de recuperação de edifícios destruídos. O Neues Museum estava bastante danificado e parcialmente destruído durante a Segunda Guerra Mundial.

O Museu, que foi projetado de acordo com os planos de Friedrich August Stüler e inaugurado em 1859 na Ilha dos Museus, ficou na parte Oriental da cidade, sob influência soviética durante o período da Guerra Fria.

Contudo, a Alemanha Oriental por diversas vezes colocou em seus planos demolir o Neues Museum, o deixando abandonado por mais de 60 anos. E apesar da demora, foi em 1985 que a sua restauração foi finalmente aprovada.

No entanto, o presidente da Fundação de Herança Cultural Prussiana alerta que reconstruções de edifícios é um projeto custoso. Parzinger afirma que deve haver um plano de restauração para o Museu Nacional e que a estrutura original deve ser mantida e visível. “Mas não reconstruir de uma forma como se nada tivesse acontecido, porque o desastre é parte da história também. Isso tem que ser documentado em um novo museu. É o que fizemos no Neues Museu.”

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *